Pra quem estiver se sentindo mal por ter sido deixado de lado em algum momento, por ter sido cortado da lista interesses de alguém, por ter deixado de ser “interessante” sem nem entender, o texto do link vai servir apenas como trampolim pruma fossa. Espero que você não caia na ilusão de achar correto um texto triste e besta assim. Vou explicar meu pensamento (por partes, porque o bagulho é longo):
Primeira parte: Não existe pessoa “interessante” de verdade, coloca isso na cabeça e acredita que essa porra de interesse é completamente relativa. Entretanto existe gente interessada e desinteressada (faça um paralelo com "esforçada" e "desgraçada" neste caso), e isso sim é completamente absoluto. Que bom pra nós! Às vezes alguém se interessa por quem somos ou pelo que temos, mas que azar pra nós porque nem todo interesse é eterno e amanhã a mesma pessoa pode não mais se interessar pelas coisas que acabei de falar. E a culpa é nossa? Bléh, só acreditarei quando provarem cientificamente. Pode-se mudar, sim, (radicalmente até!) e mesmo reconhecendo isso me recuso a acreditar que é possível mudar tanto a ponto de despertar o interesse de quem nunca se interessou de verdade por você antes.
Segunda parte: É difícil lidar com pessoas. Cada cabeça, um universo. Vejamos: Num belo dia de janeiro descubro que perdi a vida pois deixei de assistir corridas de F1, então vou ver F1 de agora por diante! Assiduamente! Porque desde que descobri o quanto F1 me interessa, WOW, ela ficou SUPER interessante! TÁ-DAM!!! Agora voltando pro mundo real onde existe bom-senso: A F1 esteve lá desde meio século atrás, eu é que nunca me interessei por ela. Agora, aplicando isso às pessoas: Em fevereiro Maria odiava gente peluda. Pra ela era tipo: Sem pelos = 100% interessante, 100% pegável “Só vamo!” Porém, Peludo = 0% pegável. 0% interessante “Sai daqui”. E por causa disso Maria pouco se importava em conhecer quem desfilasse pelos pelo corpitxo. O tempo passou e bem como muita gente no mundo, Maria mudou de opinião. E já em novembro só queria saber de gente peluda e tudo se inverteu. Gente peluda = 100% pegável, 100% interessante “Só vamo!” E gente sem pelo = 0% pegável. 0% interessante “Nopes, não mais”. O exemplo tosco foi mera metáfora, mas agora, A pergunta: As pessoas sempre estiveram lá vivendo de boa as vidas, podemos julgá-las em interessantes ou não SÓ pelo ponto de vista da Maria e sua maldita indecisão sobre pelos? Reposta: Não podemos. Mas a Maria pôde, porque era dela a história e foi ela quem decidiu.
Terceira parte: O interesse e desinteresse podem ser súbitos. Somos quem somos, aceita isso também. Ninguém precisa ficar se matando pra tentar ser mais interessante, PORÉM ninguém vai te impedir de resolver fazer patinação no gelo agora porque “todo mundo tá fazendo”. Muito menos será imobilizad@ quando cismar de fazer biscoito já que você faz isso há anos. Mas sabe quem vai de verdade se interessar quando te ouvirem falando sobre patinação ou biscoito? Sim, justamente, só os cornos que no momento, por motivos desconhecidos da vida, do mundo e do caos, estiverem se sentindo interessados. Quem não estiver, não vai…:B. Ok, ficou zoado, MAS vejë bein, a verdade é: Amanhã ou podem deixar de se interessar, ou podem ter se interessado apenas durante a conversa porque sua voz era bonita, ou talvez já adoravam o assunto há anos, ou ficaram tão admirados que vão ser interessados eternamente ou... ou... ETC ETC ETC. São mil possibilidades!!! E seja lá qual delas rolar.........se a pessoa perder o interesse por patinação ou biscoitos, a culpa vai ser sua? Não, né. Você não pode influenciar o interesse de alguém assim. Então como poderia ser culpa só sua se a pessoa não se interessa por você? A parte legal em agir ao redor daquilo que TE interessa é: você pode controlar tudo. A parte ruim em se deixar estar relacionado ao interesse de alguém é: Você não controla nada. Amanhã o interesse da pessoa pode ter ido embora. E ela vai te deixar de lado porque acontece assim quase sempre. Simples assim.
Quarta parte: Todo mundo abandona. "Ser deixado de lado não mata (sempre), e talvez até nem magoe (tanto)", mas essa frase entre aspas é só sobre uma relação de pessoas que se entendem tanto a ponto de saber se precisam ou não se despedir, e aí fazem o certo. Raríssimas relações onde as partes sabem exatamente o que fazer quando perdem o interesse e querem ir embora – e relações assim são mais difíceis do que pegar aaaqueeeeela bolinha na máquina. Ou seja, não se iluda que conseguirá facilmente uma dessas, seu tolo mortal :B.
Tem gente que precisa de despedidas, tem gente que não precisa, tem gente que se despede por hábito, tem gente que não se despede nunca, e o mais grave: tem gente muito escrota que não liga pra nenhuma das pessoas citadas. Um sério problema sobre interesse e pessoas é: quando aquele vai embora não temos manual de instruções tipo “Como descartar relações/pessoas após perder o interesse?” pra saber como agir com estas. Geralmente só deixamos de lado como um brinquedo velho, e olha que brinquedo geralmente a gente descarta errado MESMO o diabo vindo com manual dizendo como descartar. A complicação que me incomoda: tem gente louca que parece ter dificuldades excessivas pra diferenciar pessoas de brinquedos.
O ponto crucial que me irritou pra caralho do texto no link foi jogar a culpa do desinteresse das pessoas no leitor. “Se ninguém se interessa por você é porque você se interessa muito menos por si mesmo”. Ermmm...Não mesmo. Vejamos uma lista hipotética de leitores abandonados por não terem sido interessantes o suficiente:
A) Um av@ comum de 89 anos. Pra quem os netos deixaram de ligar até mesmo no natal. É culpa del@ não ser um medalhista olímpico, não ter roubado um banco quando era jovem ou coisas assim? Porque né, tá realmente muito difícil ser “interessante” depois duns 60 anos pra conseguir atender aos padrões de interesses da sociedade atual.
(E me desculpa se ignoro como as pessoas conseguem se tornar tão desinteressadas sobre quem ficou velho. É difícil aceitar que tudo em nós vai ficar chato e entediante só porque os anos vão passar, e só porque passarão os anos ficaremos chatos e entediantes, e ninguém mais vai se interessar por nós. E depois disso BANG! Olá asilo! Olar ver novelas enquanto se espera a morte. E já para de se iludir agora! Tanto faz a quantidade, gatos são gatos e ainda faltam vários aperfeiçoamentos até que se tornem ferramentas contra solidão).
B) Jovens e crianças abandonados. Criados pelas ruas, esquecidos, largados. Realmente… [IRONIA!] eles deviam ter se esforçado mais despertar o nosso interesse. Merecem toda a demonstração de desinteresse que a sociedade dá todos os dias [/IRONIA!!!!!!!!!!!!!!!!].
C) Nós. Em algum momento todos lidaremos com falta de reciprocidade, e poderão haver milhares de motivos pra justificar, ou não, isso. Talvez o interesse tenha acabado, e só. Acabou… Simples assim. Mundo gira, vida que segue e a gente vai ficar bem.
Eu prefiro morrer sem ter dito que vi sentido em alguém se culpar por ter sido insuficientemente interessante pra ter sido esquecido. Existem pessoas esquecidas demais pra jogarmos nelas a culpa… não é como se perdêssemos o interesse só pelo ordinário. Perdemos o interesse porque, de certo modo e em dado momento, nos permitimos o desinteresse. Precisamos nos permitir. Desconfio que em certa proporção a frustração pelo abandono consequente do desinteresse surge porque temos a esperança que aqueles mais especiais a nos rodear só se permitirão o desinteresse por nós quando estivermos prontos. BANG!!! Errado! Sabe por quê? Por que ninguém quer se preparar pra ser deixado de lado um dia, então, assim..né...tipo... a gente quase nunca está preparado :'}.
Quinta e última parte: Sério, o interesse dos outros é relativo e muda em um ritmo impossível de acompanhar. Então pra quê sofre tanto tentando? É mais fácil aceitar que nunca vamos conseguir satisfazer o interesse das outras pessoas como gostaríamos. Seria impossível demais; Sabe-se lá se alma tem capacidade como um motor tem cavalos ou cilindradas, HDs tem seus megabyte, gigabyte etc...mas sei que esse troço dentro da gente NÃO seria capaz de suportar tanta pressão. Se quiser satisfazer o interesse de uma pessoa em especial, yeah, vai nessa! Até vamos torcer por você!
Mas para de achar que seu esforço PRECISA ter como recompensa o eterno interesse da pessoa, porque talvez aconteça diferente... Foi decisão sua se desgastar querendo ser interessante em aspectos destoantes de quem você verdadeiramente é, então lide com a merda que pode rolar :B. Mas relaxa, você vai conseguir lidar muito bem; pra isso nossas almas tem aerodinâmica e capacidade perfeitas pra suportar, certeza!
A culpa sobre o incontrolável jamais vai ser sua.
Se tiver alguém no mundo destinado a se interessar de verdade por você, em algum momento ela vai aparecer. Sem desespero! Porque ela vai ficar do seu lado mesmo quando interesses mudarem e forem deixados pra lá. Yeah, existem interesses mais fortes e outros nem tanto. Porque quando se tratar de pessoas e das relações estabelecidas, lembra aí: Se o interesse for real, vai se materializar em esforço pra dar certo. Esforço pra impedir que a relação termine com um final podre daqueles que a boca até torce desgostosa quando contamos algo tipo “é...então...a gente se falou, mas faz um tempo já” e vem na cabeça em seguida “...e provavelmente nunca vamos nos falar de novo”. Lembrete mental: às vezes o esforço é inútil porque pessoas são estranhas, (defeito de fábrica: almas instáveis. Sem recall!!!) e não conseguimos nos controlar. Se perceber que seu esforço tá sendo em vão, parte pra outra. Sem remorsos. Certeza que só por ser você mesmo, tu já és interessante pra caralho pra alguma pessoa por aí.
P.s: E se não tiver um anjo maravilhoso destinado a se interessar por você em sua pura essência, ou se essa fucking praga demorar demais pra aparecer na sua vida, meh, relaxa, você é incrível mesmo assim.


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