domingo, 10 de dezembro de 2017

Mona Lisa, autoestima, boomerang do elogio.

Hoje vi um trecho de uma entrevista da Vera Fischer, em certo momento ela diz “amo ser chamada de diva, de linda... porque é verdade mesmo!” e isso me trouxe uma velha reflexão sobre elogios. Qual o sentido de elogiar alguém esperando agradecimento em troca? Tem gente que acha suuuper mal educado elogiar e não receber um “obrigad@” em troca, e nooooooossa, a ofensa é maior ainda se caso tenham gastado mais que um minuto, 2 frases e 2 pontos de exclamação no elogio à pessoa e a dita cuja elogiada não se derreter em agradecimentos. Elogio agora é esmola, por acaso?


Tem mesmo que agradecer, como se estivessem nos fazendo favorzão em reconhecer que somos boas/bons em algo ou que estamos bonit@s? Principalmente quando NÃO se tem uma placa na testa escrito “Me elogie”? Em contextos reais e sérios: Você vive a pedir pra alguém pra te elogiar? Com qual frequência você vê pessoas em festas sedentas por elogios, principalmente de estranhos? Pois é...justamente…
Aí ainda criticam, debocham “ai, el@ precisa ser elogiad@”, “implora por elogios”. Será mesmo? Tem gente que AMA ser elogiada, parece até carência disso, ok, e tem gente que não, ok também. Não entender isso pode mexer com umas cabeças que precisam sempre ouvir “obrigad@” para se sentir melhor.
Não se agradece como é esperado e já sai falando “aff, se acha melhor que nós”. Por “esperado” eu me refiro a uma super incógnita pois elogios nunca são externalizados junto da expectativa de agradecimento. Seria fácil se fosse assim: “Olha, vou elogiar sua roupa e você elogia a minha, tá?”, ou “Te elogiarei o cabelo e você me agradecerá olhando profundamente nos meus olhos, tá bom?”. Se não quiser frustrações, melhor especificar, né. Só que melhor mesmo (!) é aceitar: Nem todo mundo faz questão de ser elogiado, nem todo mundo vai te agradecer por reconhecer que hoje a roupa ficou bacana, que o cabelo tá bonito etc. Uai. Tem gente que vai só dizer “é, fiquei radiante mesmo, né?!”, e pronto, segue a vida. Ninguém é obrigad@ a “obrigad@s”. Fala se quiser.

E um destaque àquelas pessoas que se amam em excesso e não precisam de validação alheia. A maioria delas simplesmente se ama pra caralho. É invejável e não estamos acostumados a lidar com isso.

Mera analogia: você elogia uma obra de arte, espera agradecimentos? Não, né! Primeiro porque é um objeto inanimado (!!!!!) (saia correndo se ele responder de volta), segundo porque, se obras-primas fossem aptas de pensamento e voz, diriam no mínimo “sim, sou mesmo!! Aproveita e bate palmas!” quando escutassem “uau, você é uma obra-prima!”. Ninguém é obrigad@ a viver de falsa modéstia muito menos sob a imposição do agradecimento. Vai ver seu elogio nem seria tão importante assim pra Moça do brinco de pérola ao passo que poderia ser a razão do riso da Mona Lisa. Vai saber...né


E isso devia incomodar menos. Vamos aceitar: tem gente que simplesmente SE ACHA INCRÍVEL do jeito que é. Podemos elogiar ou manter silêncio, nossa escolha pouco importaria pra quem é assim. Criticar alguém que se sente bem consigo mesm@, só porque el@ se sente bem consigo mesm@, é no mínimo malvado. Se não ajuda uma pessoa a conseguir se sentir bem com quem ela é, favor não tentar rebaixar quem consegue só porque ela não deu bola pros seus elogios.


Simplesmente acho que as pessoas deviam parar de esperar por agradecimentos como se fosse uma obrigação-pós-elogio. Que diabo de elogio é esse que só funciona se houver agradecimentos?! Que falta ser retirado quando quem é elogiado não afaga o ego de quem elogiou?! UAI!! ÔXI!! ETC!! Elogio não é uma mera constatação de algo bom?! Assim como uma crítica pode ser um simples posicionamento ruim?! Então: Se é bom? Elogia. Se é ruim? Critica. Mas o drama só existe quando o elogio não funciona como se fosse um boomerang, né… Exemplo de como funciona o boomerang da crítica e do elogio de certas pessoas:

O único  objetivo dessa droga é te acertar a cabeça...

Tem um filme que vi, Incrível Jéssica James. Recomendo MUITO. Uma das minhas cenas preferidas é:



E É SIMPLES ASSIM! Eventualmente a gente descobre que é até prazeroso apenas constatar que a pessoa é ________ (insira um ótimo adjetivo aqui), dizer isso e pronto. Precisa mesmo de mais? Se é apenas um elogio, ele é completo por si só.
Vai ver isso tudo é reflexo daquela mania estranha que a gente desenvolve durante os anos: de sempre esperar dos outros  enquanto devíamos aprender a esperar apenas de nós mesmos, a eterna dificuldade de aprender a dar sem ganhar  ¯\_()_/¯.
Uma coisa incrível que se adquire: a liberdade do elogio. Aviso: geralmente vem junto com espontaneidade. Gente escrota confunde com puxa-saquismo, gente desconfiada pode pensar que é deboche. É raro surgir uma pessoa que tenha o hábito de elogiar sempre, apenas porque SIM. Quando uma pessoa elogia muito...brota uma pequena desconfiança: "vish, quer algo em troca". Pensamos assim sem querer, por ser tão comum pessoas que efetivamente querem algo em troca de seus elogios.
E se não somos elogiad@s com frequência, quando alguém passa a elogiar, também parece que o elogio vem com suaves segundas intenções por trás, já que não achamos possível isso ser sincero. “Elogios de graça, assim, do nada?! Naahhh, deve ter algum engano”.
Talvez não haja engano algum. Talvez o engano seja a gente demorar tanto pra aprender a elogiar livremente e com frequência, aprender a ser elogiad@ sem ter a sensação de dívida com quem nos elogia.


Vai ver essa história de ser obrigatório agradecer por um elogio esteja associada à boa educação em se receber algo físico, como um presente, e sempre agradecer. Será? Exemplo: se damos um presente de aniversário, geralmente se espera um agradecimento em troca porque um presente quase sempre custa dinheiro. E falou em dinheiro, falou em trabalho. Agradecer um presente é agradecer o esforço feito por alguém para receber dinheiro, e que então o gasta em função de uma outra pessoa. Gesto altruísta, sim.
Entretanto existem os favores..…..que não são todos necessariamente “físicos”. Mesmo assim convenhamos que favores geralmente envolvem esforços. MAS ELOGIOS NÃO! E esse é o foco do parágrafo! TCHANS! Um elogio é só uma palavra, uma frase curta! Um elogio pode ser feito em um ou dois segundos! Então pra quê todo esse drama ao redor? Pra quê sempre envolver a sensação de OBRIGAÇÃO em algo tão simples que não exige praticamente nada de quem elogiou?

Outra coisa: alguém se achar incrível demais (até mais do que é) não devia se tornar forma de ofensa. Tem tanta coisa maravilhosa pra descobrirmos naquele universo próprio chamado “eu”! E todo mundo recebe isso ao nascer, nem precisa comprar ou tentar adquirir posteriormente. É sem sentido perder tempo ao questionar ou tentar invalidar o elogio próprio de outrem ou se sentir atingido por isso. Se a pessoa quer se elogiar, deixa.


ÓBVIO que sempre teremos quem se acha incrível e vê nisso uma oportunidade pra machucar, ofender ou humilhar sempre que pode. A escada do amor próprio não usa outras pessoas como degraus, se você conhece alguém que tá subindo numa escada assim…... se afaste na primeira oportunidade rsrsrs. Mas sobre as pessoas que simplesmente se amam em excesso  e nisso não fazem mal: Isso não é ofensa pra quem ainda não chegou lá, naquele ponto onde o amor próprio é tão real que quase chega a ser tocável. As veja como exemplo e não como alvo! TÁ-DAM!! Já fica a dica: ao se achar incrível, faça isso numa escala interna; de você para você mesm@. Se precisar envolver agentes externos pra desenvolver amor próprio, vish, cuidado pra não ter que voltar ao início, ein. 


Se for pra preocupar a cuca, pensa aí em qual elogio você vai se fazer nos próximos segundos. Tic-Tac. Tic-Tac.................................
Demorou muito? Não achou adjetivos? ... Talvez você precise melhorar nisso e aprender com aquelas pessoas incansáveis em dizer o quanto são maravilhosas, que tal?


Pra terminar: se ninguém te elogiou hoje, aqui vai: 


OBS: não, não precisa me agradecer. Agradeça a você mesm@.




terça-feira, 14 de novembro de 2017

Crianças e sua profundidade sentimental inversamente proporcional

Hoje, 14/11/17, estávamos a família toda no carro voltando duma celebração do aniversário do meu pai. Incrivelmente incomum, tudo na noite; raramente estamos a família toda no mesmo carro, há anos é assim - basicamente porque quando ficamos, brigamos. E também não temos o costume de sair pra celebrar nossos aniversários. Mas dos incomuns apontados o mais interessante é o que ainda escreverei.

A meio caminho de casa, paramos num semáforo, um carro com som bem alto tocava funk próximo a nós, minha sobrinha, 9 anos, começou a se agitar e dançar no banco de trás. O sinal abriu, o carro foi embora e o som junto. Pouco metros depois eu liguei o rádio e sintonizei na rádio Nova Brasil, toca apenas música brasileira. À noite, como quase todas as rádios - que não estão tocando pop de festa - toca músicas mais românticas, embalos mais suaves. Ouvimos duas ou três músicas até que começou a tocar Ana Carolina e Seu Jorge – É isso aí.

Segundos depois meu pai disse como se estivesse brincando “desliga o som que a música tá fazendo a Ana chorar”. Ana, a minha sobrinha, Ana, a única criança do carro. Achei que fosse uma brincadeira debochada, mas não, ela realmente chorava. Não mudei de música, não mudei o volume. Continuei a dirigir. Ouvi tentativas de consolo, pelo que eu superficialmente entendi ela estava chorando por uma cadelinha nossa que cuja morte completa um ano amanhã. E nem eu tinha me dado conta da data, e você sabe que pouquíssimas crianças tem noção tão boa de tempo assim. Coincidência, acaso, não sei. 

Junho de 2016.
Véspera do "achamento" de duas filhotinhas pela Ana.
Adotamos a da direita.
Ela continuou chorando… optei por jamais perguntar o que ela sentiu ou no que pensou enquanto a música tocava, por quê ela chorou… A gente precisa aceitar a profundidade dos sentimentos de uma criança, pois são reais. Reais até demais e ainda assim passam tão despercebidos.

Mel. Setembro de 2016.  
Ainda é noite do dia 14, chegamos em casa. Minha sobrinha me chama, agora ela já está alegre, no espírito habitual dela, pra me mostrar um copo que minha mãe comprou pra mim com um Cascão estampado. Por acaso, minutos depois, vejo na internet uma obra qualquer que acende algo em minha memória e resolvo pesquisar uma releitura que estampa um álbum de fotos dado pela minha mãe antes d’eu ter 10 anos.
A releitura em questão é um Chico Bento fazendo as horas d’O Caipira, de Almeida Júnior.


Esse álbum fica guardado, por anos intocado, vive a rotina comum de um álbum de fotos de criança de uma pessoa que agora já tá podre de adulta. E ainda assim me lembro de como fiquei entusiasmada quando minha mãe, moradora duma cidade pequena, mãe carinhosa que teve no gesto de trazer da cidade grande vizinha um álbum de fotos pra filha (com um personagem que ela provavelmente gostaria bastante), todo o amor do mundo – pelo menos eu quero acreditar nisso, né. Porém nada impede dela ter comprado só porque era liquidação, coisas assim... nem vou perguntar que é pra não estragar a linda memória. Fica a dica: Se houver chance de estragar a boa memória, jamais pergunte.

Acho que o Chico Bento foi chute dela, na época eu era fascinada igualmente por todos os personagens da Turma da Mônica. O que ela não sabe é que com o tempo o Chico Bento, junto com o Cascão, roubou meu coração dum jeito absurdo hahahaha. Talvez ela tenha até pensado em me dar um outro, um álbum mais de mocinha...talvez, entretanto, não, ela me deu justamente aquele que tinha um caipira descascando milho numa soleira de porta! E meu coração ficou cheio por horas, admirando sem parar aquele álbum, entulhando fotos nele como se o tal estivesse prestes a fugir. O MEU álbum de fotos de criança.
(Meus irmãos tinham os deles, com várias fotos deles bebês, mas é aquela coisa, né: o primogênito tem a atenção toda, o do meio tem meia atenção, o terceiro filho a gente nem sabe de que parte do chão ou de qual buraco da parede brotou. A diferença é que o álbum deles "nasceu" junto com eles, o meu não. O meu eu vi nascer... Hoje desconfio ter sido descuido da minha mãe HAHAHA. Terceira filha, trabalho pra caralho, limpar casa, meh... quando der tempo eu compro um álbum pra ela. Será? O que conta é: parecia que minha mãe tinha me permitido a dádiva de escolher minhas fotinhas, de decidir o que era bom e o que não era, de montar minha historinha).

O dito cujo
Tudo isso dito me trás uma certeza: desde crianças possuímos profundidade inimaginável naquilo que sentimos. E pra onde vai tudo isso quando envelhecemos? Evapora? Transborda com o tempo até não sobrar mais? Se seca, por quê seca? Por quê secas? Por quê a secamos ou deixamos secar? Sei que hoje, falando do álbum, percebi que mesmo depois de 14 anos passados ainda não consegui agradecer a minha mãe pelo gesto. E nunca vou conseguir. É que ela me deu algo impossível de comprar, reproduzir, copiar, re-encenar: ela proporcionou à minha pequena alma, no auge de seus poucos anos, ficar suspensa no universo. Simplesmente maravilhada demais com o momento. Presa. Em trânse.

E vai ver por isso vou deixar intocado o momento da minha sobrinha com aquela música. Tem momentos, onde emoções afloram, que são particulares demais quando somos crianças. E eles são tão nossos, tão nossos, que devia ser proibido algum adulto estragar fazendo perguntas.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

O que sobra em nós das crianças que fomos?

Texto (simples) com intuito (simples) de afastar o frio, a insônia,e o tédio (aham, também teve a vontade de escrever algo novo). 


Não existe novidade sobre o quanto a minha rota mental rumo ao passado é gasta. Passo por ela com uma frequência tão grande que se fosse caminho da roça, mal daria tempo de nascer uns capinzinho na estrada, e tá tudo bem. E teve uma certa memória que me volta com alguma frequência, fui obrigada a escrever hoje sobre isso. Mentira, nem fui. Só quis escrever.
.
O chato de ser alguém que visita muito o passado é: hora ou outra as memórias geram reflexões hahaha. Seria mais fácil se todas as memórias fossem como panfletos, a gente olha, decide se quer, se não quer, e fica só nisso mesmo. Mas, né... enfim... partindo pra memória:
Era véspera de natal e meu pai teve a ideia de comprarmos uns brinquedinhos pra uns primos meus, de outras cidades, que estavam na minha casa. Foram duas bonequinhas pra duas primas minhas, e dois carrinhos daqueles de controle com fio, pra mim e pr'um primo mais novo, pra outro primo (aproximadamente minha idade) compramos um carrinho simples de fricção. Era amarelo...um taxi, talvez? Meu pai me deixou escolher todos. Eu tinha pouca afinidade com o primo do carrinho de fricção. Sei lá, eu podia ter comprado 3 carrinhos iguais, mas minha indiferença simplesmente falou sozinha pro meu pai "ah não, compra esse mesmo". Era mais barato e eu tinha convicção de que não faria diferença pro meu primo.
Eu dei os brinquedos, me lembro de zoar demais com o primo do carrinho de controle remoto, jurando que aquilo podia ser chamado de "cavalo de pau", enquanto o outro primo ficava reclamando, compreensivelmente chateado. Meu deus, que shade (INVOLUNTÁRIO!) do caralho foi aquele, KKKKKK aquele tipo de coisa que só percebemos depois que passa. 
Enfimmmmmm, okay, passando pro foco do texto: Depois que demos os brinquedos, nos encontramos, a família toda, na casa da minha tia... no dia seguinte, se não me engano. Uma das primas das bonequinhas é irmã do primo do carrinho de controle, a outra é irmã do primo do carrinho de fricção. O pais das duas duplas de primos me chamaram, e eu não imaginava o que estava por vir. (Caralho, já começo a ficar êxtasiada - desde já! - HAHAHA quase 15 anos depois). Fui, super ingênua, como se não fosse nada demais, no máximo queriam falar alguma coisa comigo. Um dos meus tios colocou a mão no meu ombro me aproximando do outro tio que tinha um objeto na mão. A partir daí: Menor ideia de quais foram as palavras que usaram, porque eu nem escutava! Eu só via a caixinha. Eu entendi que era pra mim, eles queriam agradecer. [Não vamos entrar no mérito de que a ideia e o dinheiro dos brinquedos foram do meu pai]
Minhas mãos tremiam... Eu realmente não escutava uma palavra. 
(Hoje, adulta, me é mais fácil entender porque nos desenhos animados os adultos fazem sons inaudíveis. Naquele dia estive numa espécie de desenho animado, ou "trânse". "Trânse" fica mais sem graça, mas também serve)


 Poucas vezes na vida me lembro de ter ficado tão cega por um momento. Só depois de velha descobri: Ahhh, aquilo era emoção... Um dos tios abriu a caixinha pra mim, era um MINI GAME!!!!!! Um mini game que devia ter custado uns 15 reais! MEU DEUS DO CÉU, UM MINI GAME QUE CUSTAVA O PREÇO DE UMA CAIXINHA DE CERVEJA DE LATA! (Sdds início dos anos 2000)
Não conseguia responder nem falar nada, fiquei muda tentando abrir a tampinha do mini game. Meu tio perguntou se eu sabia ligar, eu gesticulei minimamente (porque nem força pra gesticular com firmeza eu tinha) que sim, mas era mentira. Mesmo sabendo que on/off SEMPRE era o botão de ligar em TUDO da vida, eu não enxergava o botão! E aquela droga tinha tipo...8 botões no máximo?!? Além de abrir a tampinha do mini game, ele o ligou pra mim (porque, sim, eu ainda não tinha conseguido :B). Aquele barulhinho, que hoje acho insuportável, começou no ambiente. Era muita gente falando, barulho típico das reuniões de família grande, porém eu........ isolada numa ilha de emoção, eu só tive ouvidos pra musiquinha. 


Acho que ninguém mais se lembra desse episódio, mas seria engraçado descobrir se naquele instante alguém percebeu minhas mãozinhas super trêmulas haha. 
Quando você ouvir uma história tipo "ah, aquele foi um momento mágico" e não entender porque algo tão pequeno foi tão mágico, só vai te restar acreditar porque jamais vai nos caber entender as "pequenas suavidades emocionantes" das vidas alheias, só da nossa mesmo (e olha lá, haha). 

Tive esse mini game por SÉCULOS. Joguei muito, depois que a pilha acabou, fazia as vezes de manche duma aeronave. Depois virou carcaça, daí virava qualquer coisa nas minhas brincadeiras... eventualmente foi pro lixo. 

Quando pensei em escrever este texto, essa memória já tinha se passado tantas vezes na minha cabeça por ser um momento que eu (ao menos até hoje) sempre busquei como referência; algo pueril e verdadeiro sobre pequenos gestos. A sensação que eu tive naquele dia foi tão forte, o resultado foi ter-se tornado uma das minhas memórias mais vivas. E perceber muuuuito tempo depois que eu pude sentir tudo aquilo com um mero minigame, me fez perguntar seriamente onde abandonamos nossa capacidade infantil de se emocionar verdadeiramente com pequenos gestos e de permitir ser marcado por eles.

Acho que a gente vai ficando velho e vai sobrando em nós bem pouco das crianças que fomos... Uma pena. 

Mas, né, segue a vida que do mesmo jeito faz o baile 8).
tunts tunts tunts tunts 
  

terça-feira, 2 de maio de 2017

Se ninguém se interessa por você, não se culpe por isso.

Texto em resposta a isso aqui http://tupinikim.com/cotidiano/se-ninguem-se-interessa-por-voce/ 

Pra quem estiver se sentindo mal por ter sido deixado de lado em algum momento, por ter sido cortado da lista interesses de alguém, por ter deixado de ser “interessante” sem nem entender, o texto do link vai servir apenas como trampolim pruma fossa. Espero que você não caia na ilusão de achar correto um texto triste e besta assim. Vou explicar meu pensamento (por partes, porque o bagulho é longo): 


Primeira parte: Não existe pessoa “interessante” de verdade, coloca isso na cabeça e acredita que essa porra de interesse é completamente relativa. Entretanto existe gente interessada e desinteressada (faça um paralelo com "esforçada" e "desgraçada" neste caso), e isso sim é completamente absoluto. Que bom pra nós! Às vezes alguém se interessa por quem somos ou pelo que temos, mas que azar pra nós porque nem todo interesse é eterno e amanhã a mesma pessoa pode não mais se interessar pelas coisas que acabei de falar. E a culpa é nossa? Bléh, só acreditarei quando provarem cientificamente. Pode-se mudar, sim, (radicalmente até!) e mesmo reconhecendo isso me recuso a acreditar que é possível mudar tanto a ponto de despertar o interesse de quem nunca se interessou de verdade por você antes.

Segunda parte: É difícil lidar com pessoas. Cada cabeça, um universo. Vejamos: Num belo dia de janeiro descubro que perdi a vida pois deixei de assistir corridas de F1, então vou ver F1 de agora por diante! Assiduamente! Porque desde que descobri o quanto F1 me interessa, WOW, ela ficou SUPER interessante! TÁ-DAM!!! Agora voltando pro mundo real onde existe bom-senso: A F1 esteve lá desde meio século atrás, eu é que nunca me interessei por ela. Agora, aplicando isso às pessoas: Em fevereiro Maria odiava gente peluda. Pra ela era tipo: Sem pelos = 100% interessante, 100% pegável “Só vamo!” Porém, Peludo = 0% pegável. 0% interessante “Sai daqui”. E por causa disso Maria pouco se importava em conhecer quem desfilasse pelos pelo corpitxo. O tempo passou e bem como muita gente no mundo, Maria mudou de opinião. E já em novembro só queria saber de gente peluda e tudo se inverteu. Gente peluda = 100% pegável, 100% interessante “Só vamo!” E gente sem pelo = 0% pegável. 0% interessante “Nopes, não mais”. O exemplo tosco foi mera metáfora, mas agora, A pergunta: As pessoas sempre estiveram lá vivendo de boa as vidas, podemos julgá-las em interessantes ou não SÓ pelo ponto de vista da Maria e sua maldita indecisão sobre pelos? Reposta: Não podemos. Mas a Maria pôde, porque era dela a história e foi ela quem decidiu.

Terceira parte: O interesse e desinteresse podem ser súbitos. Somos quem somos, aceita isso também. Ninguém precisa ficar se matando pra tentar ser mais interessante, PORÉM ninguém vai te impedir de resolver fazer patinação no gelo agora porque “todo mundo tá fazendo”. Muito menos será imobilizad@ quando cismar de fazer biscoito já que você faz isso há anos. Mas sabe quem vai de verdade se interessar quando te ouvirem falando sobre patinação ou biscoito? Sim, justamente, só os cornos que no momento, por motivos desconhecidos da vida, do mundo e do caos, estiverem se sentindo interessados. Quem não estiver, não vai…:B. Ok, ficou zoado, MAS vejë bein, a verdade é: Amanhã ou podem deixar de se interessar, ou podem ter se interessado apenas durante a conversa porque sua voz era bonita, ou talvez já adoravam o assunto há anos, ou ficaram tão admirados que vão ser interessados eternamente ou... ou... ETC ETC ETC. São mil possibilidades!!! E seja lá qual delas rolar.........se a pessoa perder o interesse por patinação ou biscoitos, a culpa vai ser sua? Não, né. Você não pode influenciar o interesse de alguém assim. Então como poderia ser culpa só sua se a pessoa não se interessa por você? A parte legal em agir ao redor daquilo que TE interessa é: você pode controlar tudo. A parte ruim em se deixar estar relacionado ao interesse de alguém é: Você não controla nada. Amanhã o interesse da pessoa pode ter ido embora. E ela vai te deixar de lado porque acontece assim quase sempre. Simples assim.

Quarta parte: Todo mundo abandona. "Ser deixado de lado não mata (sempre), e talvez até nem magoe (tanto)", mas essa frase entre aspas é só sobre uma relação de pessoas que se entendem tanto a ponto de saber se precisam ou não se despedir, e aí fazem o certo. Raríssimas relações onde as partes sabem exatamente o que fazer quando perdem o interesse e querem ir embora – e relações assim são mais difíceis do que pegar aaaqueeeeela bolinha na máquina. Ou seja, não se iluda que conseguirá facilmente uma dessas, seu tolo mortal :B.

Tem gente que precisa de despedidas, tem gente que não precisa, tem gente que se despede por hábito, tem gente que não se despede nunca, e o mais grave: tem gente muito escrota que não liga pra nenhuma das pessoas citadas. Um sério problema sobre interesse e pessoas é: quando aquele vai embora não temos manual de instruções tipo “Como descartar relações/pessoas após perder o interesse?” pra saber como agir com estas. Geralmente só deixamos de lado como um brinquedo velho, e olha que brinquedo geralmente a gente descarta errado MESMO o diabo vindo com manual dizendo como descartar. A complicação que me incomoda: tem gente louca que parece ter dificuldades excessivas pra diferenciar pessoas de brinquedos.

O ponto crucial que me irritou pra caralho do texto no link foi jogar a culpa do desinteresse das pessoas no leitor. Se ninguém se interessa por você é porque você se interessa muito menos por si mesmo”. Ermmm...Não mesmo. Vejamos uma lista hipotética de leitores abandonados por não terem sido interessantes o suficiente:
A) Um av@ comum de 89 anos. Pra quem os netos deixaram de ligar até mesmo no natal. É culpa del@ não ser um medalhista olímpico, não ter roubado um banco quando era jovem ou coisas assim? Porque né, tá realmente muito difícil ser “interessante” depois duns 60 anos pra conseguir atender aos padrões de interesses da sociedade atual. 

(E me desculpa se ignoro como as pessoas conseguem se tornar tão desinteressadas sobre quem ficou velho. É difícil aceitar que tudo em nós vai ficar chato e entediante só porque os anos vão passar, e só porque passarão os anos ficaremos chatos e entediantes, e ninguém mais vai se interessar por nós. E depois disso BANG! Olá asilo! Olar ver novelas enquanto se espera a morte. E já para de se iludir agora! Tanto faz a quantidade, gatos são gatos e ainda faltam vários aperfeiçoamentos até que se tornem ferramentas contra solidão).

B) Jovens e crianças abandonados. Criados pelas ruas, esquecidos, largados. Realmente… [IRONIA!] eles deviam ter se esforçado mais despertar o nosso interesse. Merecem toda a demonstração de desinteresse que a sociedade dá todos os dias [/IRONIA!!!!!!!!!!!!!!!!].

C) Nós. Em algum momento todos lidaremos com falta de reciprocidade, e poderão haver milhares de motivos pra justificar, ou não, isso. Talvez o interesse tenha acabado, e só. Acabou… Simples assim. Mundo gira, vida que segue e a gente vai ficar bem.

Eu prefiro morrer sem ter dito que vi sentido em alguém se culpar por ter sido insuficientemente interessante pra ter sido esquecido. Existem pessoas esquecidas demais pra jogarmos nelas a culpa… não é como se perdêssemos o interesse só pelo ordinário. Perdemos o interesse porque, de certo modo e em dado momento, nos permitimos o desinteresse. Precisamos nos permitir. Desconfio que em certa proporção a frustração pelo abandono consequente do desinteresse surge porque temos a esperança que aqueles mais especiais a nos rodear só se permitirão o desinteresse por nós quando estivermos prontos. BANG!!! Errado! Sabe por quê? Por que ninguém quer se preparar pra ser deixado de lado um dia, então, assim..né...tipo... a gente quase nunca está preparado :'}.

Quinta e última parte: Sério, o interesse dos outros é relativo e muda em um ritmo impossível de acompanhar. Então pra quê sofre tanto tentando? É mais fácil aceitar que nunca vamos conseguir satisfazer o interesse das outras pessoas como gostaríamos. Seria impossível demais; Sabe-se lá se alma tem capacidade como um motor tem cavalos ou cilindradas, HDs tem seus megabyte, gigabyte etc...mas sei que esse troço dentro da gente NÃO seria capaz de suportar tanta pressão. Se quiser satisfazer o interesse de uma pessoa em especial, yeah, vai nessa! Até vamos torcer por você! 

Mas para de achar que seu esforço PRECISA ter como recompensa o eterno interesse da pessoa, porque talvez aconteça diferente... Foi decisão sua se desgastar querendo ser interessante em aspectos destoantes de quem você verdadeiramente é, então lide com a merda que pode rolar :B. Mas relaxa, você vai conseguir lidar muito bem; pra isso nossas almas tem aerodinâmica e capacidade perfeitas pra suportar, certeza! 

A culpa sobre o incontrolável jamais vai ser sua.

Se tiver alguém no mundo destinado a se interessar de verdade por você, em algum momento ela vai aparecer. Sem desespero! Porque ela vai ficar do seu lado mesmo quando interesses mudarem e forem deixados pra lá. Yeah, existem interesses mais fortes e outros nem tanto. Porque quando se tratar de pessoas e das relações estabelecidas, lembra aí: Se o interesse for real, vai se materializar em esforço pra dar certo. Esforço pra impedir que a relação termine com um final podre daqueles que a boca até torce desgostosa quando contamos algo tipo “é...então...a gente se falou, mas faz um tempo já” e vem na cabeça em seguida “...e provavelmente nunca vamos nos falar de novo”. Lembrete mental: às vezes o esforço é inútil porque pessoas são estranhas, (defeito de fábrica: almas instáveis. Sem recall!!!) e não conseguimos nos controlar. Se perceber que seu esforço tá sendo em vão, parte pra outra. Sem remorsos. Certeza que só por ser você mesmo, tu já és interessante pra caralho pra alguma pessoa por aí. 
P.s: E se não tiver um anjo maravilhoso destinado a se interessar por você em sua pura essência, ou se essa fucking praga demorar demais pra aparecer na sua vida, meh, relaxa, você é incrível mesmo assim.



Mona Lisa, autoestima, boomerang do elogio.

Hoje vi um trecho de uma entrevista da Vera Fischer, em certo momento ela diz “amo ser chamada de diva, de linda... porque é verdade mesmo!...